quinta-feira, 21 de abril de 2016

O medo das epidemias - Uma visão de Georges Duby

       O historiador medievalista francês Georges Duby, apresenta-nos em seu livro "Ano 1000, Ano 2000 Na Pista dos nossos medos" um quadro do medo que permeou a sociedade medieval, e que continuou a refletir nos séculos seguintes. No post de hoje faremos uma breve análise, sob a ótica do Duby, sobre a visão das epidemias, que não só perduraram durante a temporalidade medieval, mas que continuaram nos séculos que compreendem a Idade Moderna. Segundo Duby, as comunidades judaicas tinham a fama de sugar o sangue do povo, pois eram bons comerciantes e tinham a prática de cobrar juros altíssimos por seus empréstimos. Assim, na época da grande peste, no século XIV, o judeu foi tratado como o responsável pela desgraça. Dizia-se que eles tinham envenenados os poços, e consequentemente ao ingeri-la os cristãos ficavam doentes.


Representação de um massacre de judeus em 1349. Fonte: Antiquitates Flandriae. 

       A Peste Negra era transmitida pelos parasitas, principalmente as pulgas do rato preto, rattus rattus. Ele veio da Ásia, pela rota da seda. Essa epidemia, ou melhor dizendo, catástrofe, contribuiu sendo um dos efeitos do progresso, do crescimento. O comércio europeu desenvolveu, os comerciantes genoveses e venezianos partiam para negociar até os confins do Mar Negro e lá entraram em contato com os mercadores vindos da Ásia. A peste negra devasta a Europa, e ceifa um terço de sua população durante o verão de 1348, entre os meses de junho e setembro. As formas de medidas para lutar contra a invasão da doença, era  fechar-se atrás dos muros, e principalmente proibir a entrada de estrangeiros.
       Um dos maiores problemas, era onde enterrar os mortos, não se sabia mais onde colocá-los, pois não havia mais madeira para fazer caixões. Então, a grande pergunta era "como resistir"? A medicina da época, já havia feito consideráveis avanços e as cirurgias realizadas eram de qualidade razoável, e os médicos possuíam uma noção dos mecanismos de contaminação, e recomendavam queimar ervas aromáticas nas ruas, para evitar os contágios pelo ar. Havia voluntários para enterrar os mortos e tratar dos doentes, esses voluntários arriscavam as suas vidas, mas os laços de solidariedade se estreitaram diante da calamidade.
   Quando um terço ou a metade da população desapareceu subitamente, as consequências sociais e psicológicas foram gigantescas. A epidemia determinou uma elevação geral do nível de vida, durante meio século a peste permaneceu no estado endêmico, com retornos em quatros ou cincos anos, até por volta de 1400, quando o organismo humano finalmente desenvolveu anticorpos que permitiu a resistência.

Autoria: Lidia Kathin Do Nascimento, estudante do curso de História (Licenciatura) da UFRN.

Referências:

DUBY, George. Ano 1000 ano 2000 na pista de nossos medos.1ª ed. São Paulo: Ed. UNESP, 1998.


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