A Revolução Francesa ocorreu num período em que houve uma grande seca e fome generalizada, estes fatores que se somaram a outros, e fizeram com que a população urbana de Paris se revoltasse contra o rei, propagando uma revolta entre os camponeses no campo pela nobreza. A burguesia, temendo engrossar a lista de desafetos da população mais humilde, acabou tomando a frente, transformando o que era uma revolução puramente popular em burguesa. Mas o resultado disso foi uma fase de instabilidade política e social.
A imagem do rei estava relacionada, desde a formação dos estados feudais, a princípios religiosos. Os ritos de coroação, que eram mediados pela Igreja Católica, sacralizavam o poder real. Desde o medievo, o rei era um monarca absolutista, consagrado por Deus, portanto, ninguém poderia contrariar suas decisões e mudar as leis era sua prerrogativa. A legitimidade politica de um rei absolutista provinha do poder divino. Um rei era proprietário de um reino, que era seu patrimônio familiar legítimo.
Os princípios ideológicos do absolutismo defendiam a soberania do estado sobre o individuo, por meio de argumentos como a "do direito divino" e da "soberania do estado". O primeiro pressupunha que o poder do rei provinha diretamente de Deus e contestar o soberano significava opor-se a vontade de Deus dessa forma a população tinha medo de combater a opressão monárquica com receio de que estivesse se levantando contra Deus.. O segundo defendia que as leis de uma nação dependiam exclusivamente da vontade do rei, representante supremo do estado. A atribuição de certos poderes divinos a figura do rei, como exemplo Luís XIV, marcou ápice da monarquia francesa.
É importante destacar que, embora o conceito de revolução acarreta na ideia de mudanças acentuadas, pragmaticamente, a análise histórica braudeliana nos permite perceber que qualquer modificação da conjuntura é sempre paulatina, com causas e origens distantes do fato em perspectiva.
Ao assumir o trono em 1774, Luís XVI, recebia uma França envolvida pelo inicio da hegemonia inglesa, mas que almejava maior poder político e nivelamento proporcional aos privilégios da nobreza; concomitantemente, as altas taxas cobradas para manter o conforto dos nobres causavam grande insatisfação nos camponeses que aspiravam libertar-se das obrigações feudais que ainda estavam em vigor. Maquiavel traz um argumento realista acerca do poder e do homem; ele aconselha o rei a governar em nome de uma razão destina a fortalecer e consolidar o poder do soberano. Dito isto, o tumultuado processo revolucionário francês disseminou um medo profundo na monarquia, que via como necessário o combate ao avanço dos movimentos revolucionários, pois havia grande receio de que o soberano perdesse sua coroa e, consequentemente, seu poder.
As ideias liberais iluministas adentraram rapidamente os pensamentos da população. A propagação era tanta que alguns reis absolutistas foram tomados por grande medo de perder o governo e começaram a aceitar alguns ideais iluministas. Estes monarcas ficaram conhecidos como Déspotas Esclarecidos, pois tentavam adequar o modo de governar absolutista com o progresso iluminista. Segundo a natureza, o Governo despótico é o Governo em que "um só, sem leis nem freios, arrasta tudo e todos atrás dos seus desejos e caprichos" (Livro II, c. I). Segundo o princípio, o Governo despótico se rege pelo medo, enquanto que o monárquico se guia pela honra e o republicano pela virtude [...] Montesquieu [porém] mantém inalterado o da relação servil entre governantes e governados. [1]
Autora: Leydiane Nóbrega, estudante da graduação do curso de História (Licenciatura) da UFRN.
Referências:
[1] BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de Política. 11. ed. Brasília: Editora UnB, 1998. Vol. I.
ARENDT, Hannah. Da Revolução. São Paulo: Ática, 1988.
VOLVELLE, Michael. A Revolução Francesa (1789-1799). Trad. Mariana Echalar. São Paulo: Editora Unesp, 2012.
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